Arquivo | agosto, 2007

Sabores da minha terra São Paulo: Pastel de Feira

7 ago

Pastéis

A Claudia do Doces Encontros me passou uma incumbência em Junho e só agora consegui dar conta…postar um prato para o Sabores da minha terra, é um evento em que se posta uma receita que tenha a ver com o local em que nascemos ou com o qual nos identificamos.  Que vergonha!!!

O que achei mais difícil é que me considero uma pessoa do mundo, já morei em tantas casas que nem me lembro mais (ups…essa é a música…), morei em estados diferentes e até fora do país e não conseguia me decidir por um só local que traduzisse como minha terra e tivesse um prato típico. Parênteses: de forma alguma quero passar por metida ou algo do gênero…mas é a verdade, essa é a minha história. 

Pensei, pensei e muuuuuito tempo depois decidi fazer mais de um prato que fosse importante para mim e traduzisse o que eu sinto pelo seu local de origem.  O prato de hoje é um “acepipe” típico das feiras do estado de São Paulo, onde nasci, e não conheço uma pessoa que não se renda ao Pastel recém frito muitas vezes acompanhado de uma garapa (caldo de cana).  Depois de muito tempo longe de São Paulo estou de volta e o programa de sábado em casa e ir à feira comer pastel e garapa com limão! Meu filhote já acorda falando nisso e não sossega enquanto não formos.  Engraçado é que vejo muitas famílias que fazem o mesmo ou então o pai vai comprar o pastel sem fritar para ser um acompanhamento do almoço do sábado.

O estado de São Paulo teve forte imigração japonesa e não há feira sem banca de Pastel do Japonês, que está invariavelmente cheia de gente se deliciando com a crocância da delícia.  Não são como os que fazemos em casa, muitos não tem azeitonas ou ovos, mas matam a vontade daqueles que ali estão e parecem ter um sabor especial.  Não há segredo em sua preparação, comprei a massa pronta no supermercado, fiz dois tipos de recheio: carne moída e banana com canela e nozes. Use sua imaginação para criar outros.

carne mo�da e banana

O salgado fiz assim: fritei a carne moída até ficar douradinha com azeite e tempero da Nonna (pode ser alho e cebola), acrescentei sal, um pouco de catchup e mostarda só para dar um toque.  Azeitonas fatiadas, ovo cozido picadinho e cheiro verde.  Recheie e frite o pastel.  A carne deve ser sequinha.

O doce foi uma vontade de comer banana assada que me inspirou: banana nanica em pedacinhos (usei uma e rendeu dois pastéis pequenos), duas colheres de chá de açúcar, pitadas de canela em pó e duas colheres de sopa de nozes picadas. Misture bem e recheie para fritar.

Dica: recheie o pastel só na hora em que for fritar, a massa pode ficar mole por causa do recheio úmido.  E só faça a quantidade certa, não fica legal guardar para fritar depois. Melhor guardar a massa e o recheio separados.

C is for Cookie (Heath Bar Cookie)

4 ago

cookie

Adoro cookies e gosto de experimentar novas receitas com ingredientes inusitados ou que não se pensaria em usar num cookie.  Muitas vezes leio várias receitas em diversos blogs e acabo copiando para testar depois, mas esta receita me pegou de jeito e desde a hora em que li os componentes achei que seria uma grata surpresa!  Sabe aquela receita que fica martelando na cabeça e a gente não sossega enquanto não faz? Pois é…e como vem da Elise não poderia ser coisa sem graça, então fiquei matutando quanto às substituições que teria que fazer pois um dos ingredientes principais, Heath Bars, não são encontrados por essas bandas, pelo que entendi são barras de caramelo, chocolate e amêndoas ou nozes, e cheguei a conclusão de que balas de caramelo mole e chocolate em pedacinhos dariam conta do recado.  E deram, os cookies ficaram muito saborosos e gostosos, apesar da aparência um pouco diferente da foto na receita original.  Lógico que nem tudo são flores então alguns cookies vazaram, isto é, o caramelo submetido a alta temperatura do forno derreteu e melou…a segunda foto mostra bem como ficaram.  Mas contabilizando tudo acho que uns 70% ficaram bem redondinhos e lindos.  Eu ainda não assei tudo, a receita pede para deixar a massa na geladeira no mínimo por 30 minutos a uma hora, deixei uma hora, fiz um pouco ontem e o resto ainda está lá esperando para ser assado .  Rende bem.  Outra substituição básica que fiz foi usar chocolate meio amargo em pedaços ao invés de nozes, deu super certo.  Vamos à receita traduzida daqui com as minhas anotações:

2 1/2 xíc. trigo; 1 colher (chá) sal; 1 colher (chá)  bicarbonato de sódio; 1 xíc. manteiga sem sal (temperatura ambiente); 1 1/2 xíc. açúcar; 2 ovos; 1 colher (chá) de baunilha; 1 1/2 xíc. de pedacinhos de Heath Bar (usei uma xíc. de caramelo picadinhos); 1/2 xíc. de nozes picadinhas (usei chocolate meio-amargo picado)

1 Peneire o trigo, sal e bicarbonato de sódio, reserve. Numa outra tigela misture os pedacinhos de Heath Bar e as nozes (caramelo e o chocolate no meu caso).  Reserve.

2 Bata a manteiga até ficar um creme fofo.  Acrescente o açúcar e continue batendo até ficar um creme claro e fofo (uns dois minutos).  Junte os ovos (um de cada vez) e a baunilha.

3 Acrescente a mistura de Heath Bar e a dos ingredientes secos alternando em 3 adições, batendo até que fique bem homogêneo.  Refrigere a massa por pelo menos 30 minutos (melhor uma hora).

4 Pré-aqueça o forno a 177ºC.  Em formas de assar cookies (melhor são aquelas baixinhas, quase sem bordas) forradas com papel manteiga ou Silpat (usei manteiga, mas acho que o papel manteiga é bem melhor pois não dá trabalho depois na hora de lavar) disponha bolinhas de massa (do tamanho de uma bola de gude grande distantes 7.5 cm umas das outras.  Tenha o cuidado de deixar espaço entre os cookies e não fazer bolinhas muito grandes.  Os cookies espalham bem.

5 Asse por 10/12 minutos até que as bordas comecem a ficar douradinhas.  Retire do forno e deixe esfriar por alguns minutos.  Coloque numa grade até que esfriem completamente. Rende aproximadamente 6 dúzias de cookies (os meus ainda não assei todos, mas acho que não darão tantos).  

cookie 2 

Esses foram os que o caramelo derreteu, não ficaram tão bonitos mas o gosto não ficou diferente, muito bom!

Sopa gratinada de cebolas

2 ago

Sopa gratinada de cebolas

Ontem ainda estava bem frio por aqui e resolvi fazer essa sopa que há séculos não entrava no menu de casa, por mero esquecimento e não merecimento… Como era só para duas pessoas fiz uma quantidade que não queria que sobrasse, meio a olho mesmo, para esquentar os nossos ossos e alma.

Fiz assim: fatiei em rodelas finas 5 cebolas médias e refoguei em azeite com um pouco de manteiga até dourarem.  Quando estavam douradinhas coloquei um pouco de conhaque (mais ou menos 2 dedos) e deixei apurar o sabor (fica divino), coloquei sal e um tempero chamado Lemon Pepper (na verdade a receita original vai só pimenta do reino, mas quis experimentar e achei que ficou muito bom).  Acrescentei caldo de legumes (uns três dedos a mais do que a altura da cebola na panela) e deixei pegar um pouco o gosto. Pode-se usar caldo de carne ou frango.  Engrossei com um pouco de amido de milho e liguei o forno para pré-aquecer enquanto arrumava a tigela que foi ao forno com a sopa.Numa tigela refratária coloquei um pouco de azeite e quatro fatias de pão no fundo (tinha deixado o pão dar uma tostadinha no forno antes) – o melhor pão é o italiano mas não tinha então fiz com um pão de milho delicioso (receita vem logo) que deu um toque interessante ao sabor final da sopa.  Coloquei a sopa em cima das fatias de pão e salpiquei bastante parmesão ralado e umas pitadinhas de gorgonzola.  Fica mais gostoso com um queijo tipo Gruyére ou Ementhal mas a mistura que fiz deu um jeito muito bom.  Levei ao forno para gratinar, fica uma casca de queijo bem dourada e crocante…muuuuuuuuuito bom! 

E acompanhou um vinho argentino tinto seco delicioso: Malbec Oak Aged (Finca Flichman).  Estou aprendendo a apreciar os vinhos secos…e esquentou bem! 

Obs: esta receita foi o resultado de uma fusão de várias que já lemos e fizemos em casa, então não tem uma fonte certa, ok?

English version: I will be taking part in an event called The Second Annual Soup Challenge, here you can read all about it. 

“Onion Grated SoupYesterday it was still cold around here and I decided to fix this soup. It hasn´t been on our menu for ages just because the daily cooking takes place and we seem to fix the same old recipes.  Since it was only to feed two I did cook only the exact amount we use to eat, not following all the directions on the recipe.

This is how it´s done:  chopped the onion in slim slices and sautéd in olive oil and a little bit of butter until golden.  When browned put some cognac (two fingers in the glass) and let cook for a while (it is great!), put some salt and Lemon Pepper (the original recipe calls for black pepper but I wanted to see how this other one would come out, really good! ).  Put some vegetable stock (three fingers upon the onions in the pan) and cook for a little bit.  You can use chicken or meat.  Put a little bit of corn starch and cooked to make it thicker.  Pre-heated the oven and put the soup in an oven proof bowl to gratin.  Before that I put in the bottom of the bowl  a little olive oil and four slices of bread. The best is the Real Italian bread, but since I did not have at home I used a homemade corn bread which gave an interesting country touch to the soup.   Poured the soup over the bread slices and a lot of parmesan cheese with tiny bits of Roquefort (Gorgonzola, Blue Cheese) on top.  I think is is tastier with  Gruyére or Ementhal but my cheese mix worked fine.  Oven until the top is brown, you should gratin the cheese.  Very good!

To drink we had an Argentinian dry wine called Malbec Oak Aged (Finca Flichman).  “