Archive | julho, 2007

Receita de família: Bacalhau em camadas

30 jul

Bacalhau em camadas

Para o almoço de aniversário do meu pequeno na casa da Bisa resolvemos fazer um bacalhau, mas não é um bacalhau qualquer, é uma receita de família que traduz para nós Festa na melhor acepção da palavra.  Sempre que há reuniões de final de ano, aniversários e feriados importantes (dentre eles a Sexta-feira Santa) esse é o prato escolhido e amado por todos.  Hesitei um pouco em postar pois não fui em quem fez, e sim minha mãe, mas gostaria de compartilhar com vocês essa delícia.  Não há nada de muito difícil ou trabalhoso, mas apenas algumas regrinhas básicas a seguir: comprar um bom azeite, um ótimo bacalhau, de preferência do Porto bem gordo e paciência para prepará-lo.

É assim que a mamma prepara (no caso a receita é do lado Português da família, meu bisavô veio como imigrante para o Brasil) : para dessalgar o bacalhau deixe de molho em água gelada (inclusive com algumas pedras de gelo que devem ser postas em cada troca de água) na geladeira por dois dias em um tupperware grande com tampa ou uma vasilha bem fechada (pode até ser com saco plástico), trocando a água pelo menos 3 vezes ao dia.  O bacalhau então deverá ser limpo, isto é, retirada a pele e os espinhos e cortado em pedaços médios para a montagem do prato.  Numa vasilha refratária coloque um pouco de azeite no fundo e faça uma camada de batatas cruas em rodelas, o bacalhau em pedaços, rodelas de tomates e pimentão verde e muita cebola também em rodelas.  Antes de ir ao forno regue generosamente com azeite (no caso da foto foi mais de meia lata) e salpique colorífico para dar um toque.  Deixe dourar bem e sirva com arroz branco e salada verde. Ah, sempre com um bom copo de vinho!

D´além-mares para cá o delicioso Bolo de Figos Secos

27 jul

Bolo de Figos Secos

Quando li a receita deste maravilhoso Bolo de Figos Secos que a Elvira e a Fer postaram eu já antecipei a delícia que poderia ser e anotei na minha lista de compras o ingrediente principal.  Os figos secos são normalmente consumidos em casa na época das festas de final de ano, quando aparecem mais nos mercados e os preços ficam um pouco mais baixos.  Curiosamente quando estive grávida consumi muito essa delícia visto que cortei drasticamente os doces (leia-se chocolate) e procurava matar a vontade de açúcar comendo frutas e iogurtes naturais com geléias caseiras e algumas frutas secas, dentre elas o figo.

De uns tempos para cá não achava mais figo e tudo bem, mas vários posts em blogs culinários me atiçaram a vontade, mais ainda este bolo e finalmente comprei os figos secos no Mercado Municipal em Sampa e mandei brasa.

A Fer já tinha anotado que o bolo era bem grande, então resolvi fazer metade da receita pois em casa meu marido não é muito de comer bolos, principalmente se não vai o bendito chocolate. Deu certo e o bolo ficou num tamanho ótimo, e o sabor, ah, o sabor, era exatamente o que eu imaginava, maravilhoso! Obrigada Elvira e Fer!

Para variar eu acrescentei uma coisinha da receita original, uma boa colher de sopa de mel de Canudo de Pito, uma flor do Cerrado lá das bandas de São Joaquim (SC) e que tem um sabor único, já ganhou até concurso internacional como melhor do mundo. Não me arrependi, ficou muito bom!Vamos à receita com as anotações de praxe:

 Bolo de Figos Secos (fiz só meia receita, então dividi tudo)500 g de farinha para bolos com fermento [* ou 500 g de farinha + 1 colher (sobremesa) de fermento em pó]
500 g de açúcar (achei muito, usei só 1 ½ xíc.)
400 g de figos secos
250 g de manteiga amolecida (ou margarina vegetal)
6 ovos
1,5 dl/ 150ml/ 5oz de leite
5-6 colheres (sopa) de aguardente (usei conhaque)
1 colher (sobremesa) de canela em pó
manteiga e farinha para a forma
Cortar os figos secos em cubinhos pequenos e colocá-los numa tigela. Regar com a aguardente, envolver e deixar macerar por 1 hora. Pré-aquecer o forno a 180ºC. Untar uma forma redonda de buraco com manteiga e polvilhar com farinha. Reservar. Numa tigela, bater muito bem a manteiga com o açúcar. Juntar os cubinhos de figo previamente escorridos (reservar a aguardente) e envolver. Adicionar os ovos, a canela, o leite e a aguardente reservada e eu acrescentei o mel. Misturar muito bem. Incorporar a farinha previamente peneirada, sem parar de bater até a massa ficar lisa e homogênea. Transferir a massa para a forma e levar ao forno por aproximadamente 1 hora, a 180ºC. Verificar a cozedura da massa com um palito ou uma lâmina fina. Desenformar o bolo e deixá-lo arrefecer sobre uma grelha. 

Algumas curiosidades sobre o figo:   é uma fruta altamente energética, por ser rica em açúcar. Entre os sais minerais que contém destacam-se o Potássio, o Cálcio e o Fósforo, que contribuem para a formação de ossos e dentes, evitam a fadiga mental e contribuem para a transmissão normal dos impulsos nervosos.      O figo seco é ótimo alimento para as pessoas que gastam muita energia em exercícios musculares. Já o figo fresco é considerado expectorante pela sua eficácia contra inflamações do aparelho respiratório (tosse, catarros).          O figo seco, bem triturado e aplicado em compressas quentes, amadurece e desfaz abcessos e furúnculos. As sementes fazem dele um laxante ativo e suave, estimulando a musculatura do intestino.   A água de figos (secos ou frescos), tomada pela manhã, em jejum, e à noite ao deitar, normaliza a função intestinal, além de auxiliar a expulsão de vermes intestinais. O figo é recomendado para os que sofrem de doenças do fígado e vesícula biliar. Já os que sofrem de acidez do estômago, artrites ou são obesos, devem evitá-lo.     Em boas condições, o figo fresco conserva-se na geladeira por até uma semana e seu período de safra vai de janeiro a abril.   Cem gramas de figo fornecem 62 calorias. Fonte: http://www.vitaminasecia.hpg.ig.com.br/figoorientacao.htm

Pão de Aipim

26 jul

Pão de Aipim

Tudo bem, tudo bem, já sei que no Mangia há várias receitas de pão, mas não posso deixar de dividir essa maravilha com vocês, um dos pães mais macios que já fiz!!!Muito fácil de fazer e acompanha muito bem um café, um lanche da tarde ou faz um super sanduíche para quando a fome é mais intensa!A receita é da Cadence e eu havia marcado para experimentar quando comprei minha máquina de pão, que é de outra marca, e queria testar as receitas diferentes que as outras empresas forneciam.  Não é que outro dia minha irmã fez na casa dela e depois de elogiar bastante ela disse: “Ué, foi você quem me passou essa receita.” E eu não me lembrava…procurei nas muitas pastas no computador e achei.

Fiz e amei, a massa é super macia parece que vai desmanchar e o perfume que exala na hora de assar é um convite à mesa.

A receita é a seguinte: para um pão de 600 g use 1 copo de 240 ml de purê de aipim (eu cozinhei a mandioca e amassei com um garfo), ½ copo (120 ml) de água (pode-se usar a água do cozimento do aipim – eu usei leite), 2 colheres de (sopa) de creme de leite ou margarina (eu usei uma de manteiga e outra de creme de leite), 1 colher (chá) de sal, 2 colheres (sopa) de açúcar, 3 copos de farinha de trigo (720 ml) e 2 colheres (chá) de fermento biológico seco instantâneo.Coloque na forma da panificadora a água, o creme de leite/manteiga, o purê de aipim, sal, açúcar, farinha de trigo e o fermento, nesta ordem. Selecione para ciclo Sanduíche (usei ciclo massa que é só para sovar e crescer, demora uma hora e meia) e deixe assar.

Após o ciclo massa ter acabado untei com manteiga uma forma de bolo inglês grande e coloquei a massa para crescer num local quente coberta com um pano de prato até que dobrasse de volume (cerca de uma hora).  Uns 15 minutos antes de assar liguei o forno no médio/alto e quando a massa estava pronta para assar fiz um corte com a faca no sentido longitudinal da forma.  Assei até que o pão estivesse dourado e ao bater com os nós dos dedos o som fosse oco.  A cor mais dourada obtive pincelando manteiga derretida na hora de levar ao forno.  Ah, acrescentei duas colheres de sementes de girassol na hora de sovar.

Esse pão pode ser feito na mão sem problemas.

Pão de Aipim 2

Bacalhau fresco em papillote

23 jul

bacalhau fresco em Papillote cru

Gosto muito de frutos do mar, mas aprecio na beira da praia, normalmente não como peixe se não for assim, podem me chamar de fresca…raras exceções para o bacalhau salgado, peixes de água doce ou um salmão ou arenque, hadock…neste caso abri um parênteses pois o peixe estava com um jeito bem fresco, e fiz dois grandes filés de Bacalhau fresco no Papillote.  

Na verdade a plaqueta do supermercado estava dizendo que era Bacalhau nacional fresco, mas eu nunca tinha visto ou comido antes…confesso que o sabor é bem de bacalhau mesmo.Como moro em apartamento e infelizmente não tenho varanda ou quintal para fazer os filés da churrasqueira, optei pelos Papillotes, são como saquinhos que se faz usando papel manteiga ou alumínio para não deixar os sucos do peixe escaparem e principalmente não fazer aquela lambança no forno. Usei papel alumínio e depois papel manteiga, sendo que o peixe ficou em contato com este último e o alumínio foi só para dar uma garantida que não vazaria nada e reter mais calor para o cozimento.Como o peixe era filé e não podia ficar muito tempo no forno temperei de duas formas simples:

a)     sal, azeite, dill fresco e limão, finalizando com rodelas de limão siciliano e mais azeite;

b)     sal, azeite, duas colheres de sopa bem cheias de molho de tomate fresco que tinha sobrado de uma noitada de pizza, com um cheirinho de raiz forte (wasabi) e uma e meia colheres de creme de leite.  Misturei tudo e cobri o peixe finalizando com rodelas de cebola. Esse foi o preferido!

bacalhau fresco em Papillote

Ficou muito bom, com arroz e salada verde é uma delícia!

Sorvete de Kiwi da roça

22 jul

Sorvete de Kiwi

Esta época do ano é uma festa de sabores e perfumes nas feiras e supermercados, abundam morangos, ponkans e deliciosos kiwis.  Infelizmente os comprados no supermercado nem de longe se comparam aos colhidos no quintal, mas quem possui um pé de kiwi hoje em dia? Pois é, meus pais têm um lindo e antigo pé de kiwi no sítio onde moram, são verdadeiramente abençoados. Nunca comi frutas tão graciosas e doces, não têm nada a ver com as compradas, que provavelmente são entupidas de adubos e remédios e colhidas muito antes da hora para chegar logo à mesa do consumidor.

Ganhamos uns 35 ou 40 kiwis e fiquei pensando o que fazer com tanta fruta, já que estavam maduros e não daríamos conta de consumir tantos mesmo comendo todos os dias em mais de uma refeição….daí lembrei-me da sorveteira que demos no ano retrasado para minha  mãe e pedi emprestada para fazer algumas delícias caseiras, dentre elas esse sorvete que ficou divino!

Anote aí: coloquei no copo do mixer uns 10 kiwis médios (mais ou menos uns 6 grandes) picados e 1 xícara de açúcar cristal, fiz um purê e a esse purê acrescentei 250 ml de creme de leite fresco batido quase no ponto de chantilly (cuidado para não virar manteiga).  Levei essa mistura a sorveteira e em poucos minutos estava pronta a maravilha.  Ficou um sorvete cor de pistache e o sabor era doce e ao mesmo tempo pegava um pouco na língua…hummmmmmmmm! Acho que vou repetir a dose!  Se você não tem sorveteira pode fazer na batedeira, mas infelizmente não fica a mesma coisa pois ele não fica tão cremoso. 

Arroz de Caracol

20 jul

arroz de caracol

Essa é uma receita de família, receita que minha bisavó fazia para os filhos e netos e que eu curiosamente nunca havia experimentado, só ouvia falar da delícia que era mas nunca havia feito ou provado.  Engraçado já que as receitas de família são sempre repetidamente feitas na casa da minha mãe ou da minha avó… O arroz é tão emocionalmente especial que uma nora da minha bisavó diz ser o arroz de festa da casa dela, sempre que os filhos se reúnem ela tem que fazer senão eles reclamam.

Tinha sobras de arroz em casa e uns ovos caipiras maravilhosos trazidos pela mamma, não pensei duas vezes, ontem à noite resolvi fazer o arroz da bisa para acompanhar uma salada de rúcula, cenouras em rodelas e conserva de cebola roxa e uma kafta deliciosa que tinha feito.  Não preciso nem dizer que foi aprovadíssimo, quase não sobrou…o arroz fica com um sabor bem especial e uma crosta super crocante, meu pequeno já tinha jantado e não se fez de rogado, ao sentir o perfume saindo do forno ele disse para o pai: “Papai, vamos jantar?”.

A receita é simples: numa tigela misture sobras de arroz (eu usei 2 ½ xíc., mas pode ser mais dependendo do número de comensais), 1 colher (sopa) de manteiga amolecida e 3 gemas bem desmanchadas.  Misture muito bem e acrescente 3 colheres de parmesão ralado.  Coloque numa forma refratária untada com manteiga e farinha de rosca (para não grudar) e alise a parte de cima com uma faca molhada na manteiga amolecida.  Cubra com uma fina camada de farinha de rosca (eu não tinha então fiz uma farinha fina com umas torradas Marilan) e depois salpique mais queijo ralado. Enfeite com azeitonas verdes e leve ao forno para dourar.  Fica uma cor linda e tem um sabor muito bom, mais especial ainda foi comer um prato que minha bisa sempre fazia e lembrar dela (infelizmente não a conheci, mas as histórias que contam é de que ela foi uma pessoa muito legal e que cozinhava muito bem).

Espero que gostem! Minha mãe disse que com rosbife combina divinamente.

Arroz de caracol pronto

Strawberry Scones

17 jul

Strawberry Scones

Há tempos queria experimentar os famosos “Scones”, são típicos “quickbreads” ingleses, isto é, pães levedados com fermento químico (fermento em pó, bicarbonato de sódio ou cremor tártaro) e não necessitam de horas de crescimento, normalmente são pães mais estáveis e fáceis de fazer.  Minha irmã mais nova morou um tempo na Inglaterra e voltou apaixonada pelos Scones , confesso que nunca havia experimentado, apesar dela ter feito várias vezes nunca estava presente quando a receita era preparada.  Conversando com a minha outra irmã sobre a vontade de fazê-los, ela me disse não ter tido sorte com as receitas que testou, só acertou uma vez e as outras cinco foram para o lixo!  Fiquei imaginando o que teriam de tão especial e cheio de truques…aí li o post da Cinara sobre os Scones salgados e fiquei com as mãos coçando…tinha morangos na geladeira e scones eu fiz.

A receita eu peguei da internet, uma receita do The Dallas Morning News, a original está aqui e a que segue abaixo vai traduzida por mim.  Achei bem interessante o pãozinho, talvez esperasse algo mais doce, por conta das receitas de muffins e outros pães que costumo fazer, mas como os ingleses comem com geléia acho que ficaram perfeitos.  A única diferença foi que após esfriarem salpiquei açúcar de confeiteiro em cima para dar um toque.

Receita: 2 ovos (um para cada etapa); 1 colher (sopa) mais ¼ xíc. creme de leite (uso em etapas diferentes); ¼ xíc. buttermilk (fiz como está aqui), 1 colher (chá) de baunilha; 2 xíc. trigo (separa um pouco mais para polvilhar na superfície de trabalho); 1/3 xíc. mais uma colher (sopa) de açúcar (uso em etapas diferentes – eu acho que poderia ir mais açúcar); 2 colheres (chá) fermento em pó; ¼ colher (chá) de sal; 6 colheres (sopa) de manteiga sem sal (picada); 2/3 xíc. de morangos limpos e picados (usei 1 xíc.)

Pré-aqueça o forno a 191ºC.  Cubra uma forma com papel manteiga (untei uma forma com manteiga e trigo). Bata 1 dos ovos com uma colher de creme numa vasilha pequena.  Reserve. Bata o outro ovo com o resto do creme de leite (1/4 xíc.), buttermilk e a baunilha numa tigela média. No processador use o modulo pulsar: 1/3 xíc. de açúcar, fermento e o sal até que estejam bem misturados.  Acrescente a manteiga picada e pulse até que pareça fubá grosso (mais ou menos umas 10 vezes).  Transfira a mistura para uma tigela grande e faça um buraco no meio.  Acrescente a mistura de buttermilk e mexa até que a massa fique “pedaçuda”.  Cuidadosamente acrescente os morangos.Transfira a massa para uma superfície de trabalho enfarinhada e gentilmente amasse até que fique homogênea e suave, por uns 10 segundos.  Faça um círculo com a massa, como se fosse um disco de pizza, aproximadamente com 2,5cm de espessura e corte em 8 triângulos.   Com um pincel remova a farinha excedente, transfira os pedaços para a forma e pincele cada pedaço com a mistura de ovo e creme de leite.  Polvilhe o açúcar remanescente sobre os pedaços (1 colher de sopa). Asse por aproximadamente 15 minutos ou até que estejam levemente dourados, pode-se usar o truque do palito como se fosse um bolo (se o palito sair limpo está assado).  Transfira para uma grade e deixe esfriar um pouco. Sirva morno ou em temperatura ambiente. Os scones frios podem ser armazenados num Tupperware por dois dias.